Centro comercial de Arapiraca, Agreste alagoano, onde empresas enfrentam mudanças da Reforma Tributária 2026
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Reforma Tributária: O Que Empresas do Agreste Alagoano Precisam Saber Agora

Janeiro de 2026 marca o início da maior transformação tributária em décadas

A Reforma Tributária já começou. Enquanto muitos empresários ainda acreditam que as mudanças são distantes, 2026 dá início a um processo de sete anos que redefinirá completamente a forma como empresas pagam impostos no Brasil.

Neste artigo, vamos apresentar as decisões que sua empresa deve tomar em 2026 e que definirão sua competitividade pelos próximos anos.

A complexidade do processo preocupa. As indefinições sobre alíquotas finais, a falta de regulamentação completa e o longo período de transição criam incerteza para quem precisa planejar investimentos e fluxo de caixa.

Confira o primeiro artigo da série dedicada a traduzir a Reforma Tributária para a realidade das empresas do Agreste alagoano. Vamos direto ao que importa: o que muda, quando muda e o que fazer diante das incertezas.


O Novo Sistema Tributário: CBS e IBS Substituem Cinco Tributos Atuais

O problema do sistema atual

Hoje, empresas brasileiras lidam com cinco tributos sobre consumo (PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI), cada um com suas próprias regras, alíquotas e obrigações. O resultado é burocracia excessiva, insegurança jurídica e custos para cumprir as próprias obrigações fiscais.

A solução proposta: IVA dual brasileiro

A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 criam um IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Na maior parte dos países desenvolvidos, o IVA é um tributo único sobre consumo.

O sistema brasileiro é chamado “dual” porque divide aquilo que seria o imposto único em dois tributos separados: um federal (CBS) e outro estadual/municipal (IBS).

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

  • Tributo federal que substitui PIS, COFINS e IPI
  • Alíquota estimada: 8,5%
  • Extinção definitiva de PIS/COFINS em 2027

IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)

  • Tributo estadual e municipal que substitui ICMS e ISS
  • Alíquota estimada: 19%
  • Extinção gradual de ICMS e ISS entre 2029 e 2033

Alíquota total estimada do IVA brasileiro: 27% a 28%

Aqui está o primeiro problema crítico: essas alíquotas são estimativas. O Congresso Nacional ainda pode ajustá-las até a vigência plena em 2033. Ninguém sabe ao certo qual será a carga tributária final. Essa indefinição dificulta o planejamento de longo prazo e pode gerar insegurança para investimentos estruturantes.

Além disso, 27-28% seria uma das alíquotas de IVA mais altas do mundo. Para empresas brasileiras que já enfrentam margens apertadas, o risco de aumento real da carga tributária é concreto, especialmente para setores de serviços.

Cronograma da transição: sete anos de incerteza operacional

2026 – Fase de Testes

  • CBS testada com alíquota de 0,9% e IBS com 0,1%
  • Primeiros quatro meses sem penalidades

2027 – Início Efetivo

  • PIS e COFINS extintos, CBS entra em vigor
  • Imposto Seletivo substitui IPI
  • ICMS e ISS continuam normalmente

2029-2032 – Transição Gradual

  • Redução progressiva de ICMS e ISS: diminuição de 10% combinada com aumento correspondente no IBS

2033 – Sistema Definitivo

  • ICMS e ISS extintos, IBS totalmente em vigor

Aí está a complexidade adicional: as empresas precisarão conviver simultaneamente com dois sistemas tributários por quase uma década. Isso significa duplicidade de obrigações acessórias, sistemas de gestão preparados para ambos os regimes e custos administrativos elevados durante toda a transição.


Simples Nacional: Mudanças Importantes

Desmistificando: o Simples Nacional NÃO acabou

Circula entre empresários o temor de que a Reforma Tributária extinguiria o Simples Nacional. Isso é falso. A Lei Complementar 214/2025 preservou expressamente o regime simplificado, que continuará existindo após 2033.

O que muda não é a existência do Simples, mas a forma como ele opera.

A nova escolha: Simples Padrão ou Simples Híbrido

A partir de 2027, empresas optantes pelo Simples Nacional terão que escolher entre dois modelos:

1. Simples Nacional Padrão (modelo tradicional)

  • Pagamento unificado via DAS
  • CBS e IBS recolhidos “por dentro” do DAS
  • Simplicidade administrativa mantida

Desvantagem: a empresa não tem direito a créditos próprios de CBS e IBS, e os clientes podem se creditar de forma parcial

2. Simples Nacional Híbrido (nova opção)

  • IRPJ, CSLL e previdência continuam no DAS
  • CBS e IBS recolhidos separadamente
  • Direito a créditos integrais de CBS/IBS
  • Clientes também recebem crédito integral

Desvantagem: maior complexidade administrativa

A escolha pode ser feita duas vezes por ano (janeiro e julho).

A questão dos créditos tributários: diferencial competitivo decisivo

Com a cobrança de CBS/IBS, os créditos tributários viram moeda de negociação. No sistema não-cumulativo, empresas podem descontar dos tributos devidos valores já pagos pelos fornecedores nas etapas anteriores da cadeia produtiva.

Por exemplo, um atacadista de Arapiraca hoje pode aproveitar os valores já pagos a título de PIS/COFINS pelo seu distribuidor em Maceió, reduzindo o tributo devido em suas próprias vendas.

Com a reforma, esse mecanismo se mantém, mas a diferença crítica é que fornecedores no Simples Padrão gerarão crédito apenas parcial para seus clientes, enquanto fornecedores no Simples Híbrido ou regime normal gerarão crédito integral de CBS/IBS.

No nosso exemplo, quando esse atacadista for vender para um supermercado, o supermercado preferirá fornecedores que gerem mais crédito ou exigirá desconto equivalente.

Na prática:

Para empresas que vendem para outras empresas (chamadas B2B) — distribuidores, prestadores de serviços corporativos — essa diferença pode ser decisiva, já que os clientes tenderão a preferir fornecedores que gerem mais crédito.

O dilema: migrar para o Simples Híbrido aumenta a complexidade operacional, mas pode ser necessário para empresas que vendem para outras empresas. Essa decisão não é simples e exige análise especializada que considere múltiplos fatores jurídicos, contábeis e de gestão.

Este tema será aprofundado em artigo específico sobre a decisão entre Simples Padrão e Híbrido, com análise setorial.


Impactos Práticos no Agreste Alagoano: Cenário Complexo Para PMEs

O contexto regional que amplifica os desafios

A economia do agreste é dominada por comércio varejista e atacadista (43% das empresas), agronegócio (22% do PIB) e serviços (51% do PIB) — setores que serão diretamente impactados pelas mudanças estruturais da reforma.

Comércio varejista e atacadista

Supermercados, distribuidores e atacadistas enfrentam desafios específicos com a reforma. As margens no varejo brasileiro são historicamente apertadas, tornando qualquer aumento de tributação potencialmente crítico para a viabilidade do negócio.

Para atacadistas que vendem para outras empresas, a pressão será dupla: clientes podem exigir créditos integrais de CBS/IBS, enquanto o aumento de custos da cadeia de suprimentos precisará ser absorvido ou repassado.

Neste ponto, a decisão entre Simples Padrão e Híbrido torna-se estratégica.

Varejistas que vendem para consumidores finais (B2C) sofrerão menos pressão por créditos, mas enfrentarão o mesmo problema de indefinição sobre as alíquotas.

Um artigo sobre impactos no comércio será publicado em breve.

Setor de serviços: o mais afetado percentualmente

  • ISS atual: geralmente 2% a 5%
  • IVA futuro: estimativa de 27-28%
  • Aumento excepcional da tributação sobre serviços

Clínicas médicas e profissionais liberais precisam começar a simular cenários agora. A reforma prevê alíquotas reduzidas para alguns setores, mas a legislação ainda não detalhou completamente quais atividades se beneficiarão.

Diante dessa indefinição, o planejamento tributário deixa de ser opcional: é fundamental mapear os impactos potenciais em diferentes cenários e estruturar estratégias que suavizem a carga tributária.

Publicaremos um artigo específico sobre os impactos da reforma sobre clínicas médicas e demais profissionais da saúde.

Agronegócio: regime especial com oportunidades

Produtores rurais terão uma série de oportunidades decorrentes da reforma, incluindo alíquota reduzida de 60% para insumos agropecuários: um caso raro de redução real da carga tributária.

Porém, aproveitar essas vantagens exige organização acompanhada de orientação técnica especializada.
Uma análise detalhada para o agronegócio do Agreste será publicada em artigo futuro.


O Que Fazer Agora: Próximos Passos Diante das Incertezas

A Reforma Tributária exige ação e planejamento, não reação.

O primeiro passo é reconhecer que se trata de uma mudança estrutural que exige análise especializada.

Sua contabilidade precisa estar envolvida desde logo. Questões como correção de cadastros fiscais e preparação de sistemas para os novos campos de CBS/IBS são urgentes e demandam conhecimento específico.

Para decisões mais estruturais, como migrar ou não de regime tributário, avaliar competitividade no modelo B2B com créditos parciais e analisar riscos jurídicos de cada alternativa, a orientação tributária especializada torna-se necessária.

A escolha entre Simples Padrão e Híbrido, por exemplo, exige compreensão de como a legislação ainda indefinida pode afetar sua operação nos próximos anos.

O investimento em planejamento agora é significativamente menor que o custo de decisões equivocadas tomadas por falta de informação.

Empresas preparadas aproveitarão janelas únicas de reestruturação. As despreparadas enfrentarão custos elevados e maior complexidade operacional.

Acompanhe esta série sobre Reforma Tributária

Este é o primeiro de uma série de artigos. Próximos temas:

  • Simples Nacional: permanecer ou migrar para IBS e CBS?
  • Reforma Tributária para o comércio do Agreste
  • Impactos no setor de saúde
  • Agronegócio e a nova tributação
  • Split payment: como preparar seu fluxo de caixa

Precisa de orientação estratégica para sua empresa navegar a Reforma Tributária?

Com especialização em Tributação e Gestão Tributária e sete anos de experiência observando o impacto de decisões tributárias em empresas, posso ajudar a desenvolver a estratégia mais adequada para o seu caso específico, considerando as incertezas do processo de transição. Entre em contato para uma análise inicial.

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